Para mim, sempre houve um vínculo afetivo entre os lugares e as músicas. Não consigo dissociá-lo, e, quando viajo, as memórias mais duradouras e intensas são aquelas em que a música esteve presente. A música está ad aeternum na minha mente.

A primeira imagem do Baleal, independentemente do caminho de onde venhamos, é incrivelmente relaxante. Península desconcertante, incomum e bela, parece deslizar sob um imenso mar azul-esverdeado. Muitas coisas os meus olhos apreciam. A praia do Baleal Norte ou Praia do Lagido, tem o mar agitado, enquanto no Baleal Sul, as águas apresentam-se bem mais calmas. A estrada que atravessa as duas praias, finda num aglomerado de casinhas brancas, sendo que algumas acolhem bares e esplanadas atrativas. Não obstante o Baleal – pertence à freguesia de Ferrel – não ter muitos habitantes, creio poder dizer que são já uns quantos os estrangeiros que ao fim de algum tempo, estabelecem residência por estas paragens do Oeste. Esta região de Portugal – repleta de apontamentos históricos e afastada dos grandes centros populacionais – tornou-se um ponto obrigatório à escala global para os amantes do surf.

Baleal © Miguel Pinho
Baleal © Miguel Pinho
Baleal © Miguel Pinho
Baleal © Miguel Pinho
Baleal © Miguel Pinho

Todas as fotos © Miguel Pinho

Para mim, Brian Eno é o músico dos músicos e de quando em vez tenho de voltar à sua audição. A minha companheira, munida do telemóvel, colocou a faixa “From the Same Hill” enquanto bebíamos um copo de vinho branco. Peça ambiental, emocional e melódica com a duração de três minutos – guitarra de Paul Rudolph, percussão de Phil Collins e baixo de Percy Jones – faz parte do sétimo álbum de estúdio de Brian Eno, “Music For Films” . Entrei literalmente num saboroso alvoroço interior. Perante toda a magnificência do pôr-do-sol, apetecia-me voar lentamente pelo infinito céu azul. Com a música, a emoção ganha uma dimensão absolutamente inacreditável, em que as ondas do mar pareciam tornar-se ainda mais belas e as falésias menos perigosas. Com música, tudo parece mais harmonioso. O pôr-do-sol do Baleal deixa-me sem palavras.
O entendimento Eno-Baleal é algo que me vem à memoria em certas alturas do ano, em certas horas do dia. Nunca deixei o Baleal…a ele regresso sempre que ouço “From The Same Hill”.


Décima quarta edição d´ “As sonoridades das viagens“ na Irreversível.
Miguel Pinho é um reconhecido apaixonado por música e autor publicado sobre viagens.
Conhecendo estas premissas, a Irreversível lançou-lhe o desafio de somar as duas, a música e as suas viagens, numa rubrica para Magazine.

Mais recente livro de Miguel Pinho (artigo Irreversível):
Das Pontes do Porto aos Doces Vinhedos Magiares“.

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