Os Them Flying Monkeys estão de regresso, anunciaram duas datas em Lisboa e Porto, lançaram um novo tema – “Next Emma Stone” e o EPThe Silence Between Songs”, gravado ao vivo em período de isolamento e que, para já, roda em emissões filme-concerto exclusivas no Canal 180.
Entre um disco editado no início da pandemia covid, um duplo lançamento e o regresso aos concertos, sentimos que era o momento certo para a Irreversível abordar os Them Flying Monkeys.

Gravações de “The Silence Between Songs”

Nunca procurámos encontrar uma zona de conforto para não sair dela.

Irreversível – Olá malta! Muito obrigado pela disponibilidade para esta conversa e parabéns pelo filme-concerto “The Silence Between Songs”. Como nasceu esta ideia de um filme-concerto e como decorreu o processo de gravação? 
Them Flying Monkeys – Hey! Muito obrigado. Em primeiro lugar, este projecto só foi possível graças a um esforço hercúleo por parte da Carpete, do Teatro Mosca e dos seus profissionais e, claro, de todo o apoio que tivemos do BlackSheep Studios e da gig.ROCKS!. A ideia nasceu precisamente do facto de estarmos com uma vontade imensa de tocar o nosso último disco ao vivo, já que, por culpa da pandemia, só foi possível fazê-lo uma vez. Lançámos o disco no Musicbox em Lisboa em Março e pouco depois de anunciarmos a abertura do concerto dos Temples no Lisboa ao Vivo, tudo foi fechado e cancelado. Assim, e já um ano depois, em 2021, pensámos nesta possibilidade e desafiámos as pessoas que sabíamos que iam querer tanto concretizar este projeto como nós. Agora, mais de 2 anos depois, não podíamos estar mais orgulhosos do resultado final.

Irreversível – Vocês editaram um álbum que coincidiu com o início da pandemia covid. Certamente havia tour de apresentação programada, etc, etc … Como foi ter de lidar com toda essa situação com um disco novo nas mãos? 
Them Flying Monkeys – Foi difícil. Sentimo-nos muito desmoralizados, porque mesmo depois dos efeitos colaterais da pandemia na cultura, parecia que tudo estava a demorar a arrancar e a voltar ao sítio. Fosse porque havia muitas coisas em atraso, fosse porque a própria indústria sofreu algumas alterações: quer por venues que tenham fechado, quer por profissionais da área que mudaram de profissão, enfim, por toda a entropia gerada pela pandemia. Foi também isso que nos juntou no Algarve durante duas semanas para compor música nova e nos sentirmos uma banda em actividade novamente.

Irreversível – O novo tema “Next Emma Stone” está muito bom, algo mudou no vosso som…  O que podemos esperar no curto prazo dos Them Flying Monkeys?
Them Flying Monkeys – A “Next Emma Stone” veio, de facto, iniciar uma nova fase na banda a nível musical. Não por saturação do que fazíamos antes, mas por sentirmos uma forte necessidade de nos colocarmos fora da nossa zona de conforto, explorando outros ambientes e texturas sonoras. É bom mudar e sentirmos que há mais coisas para aprender e explorar musicalmente além da pop e do rock psicadélico, onde nos quisemos situar no nosso primeiro e segundo discos. Não podemos falar de novo álbum (ainda), mas é certo que haverá mais música nova ainda este ano. Temos novidades para breve.

Irreversível – … E qual é o conceito por detrás de “Next Emma Stone“?
Them Flying Monkeys – A “Next Emma Stone” foi um tema composto em casa de forma bastante crua, na verdade. O Luís (vocalista e guitarrista) tinha dois riffs na cabeça e numa sessão de composição com o Hugo (baterista) os dois juntaram as ideias e assim nasceu esta música. A letra foi composta bastante depois e muito em cima do joelho, diga-se de passagem. Queríamos uma coisa que estivesse entre o rock e o hip-hop (quase). “Next Emma Stone” surge enquanto alter ego e closure song de um encontro mal resolvido, ou um grito de emancipação de uma banda que se quer superar a si mesma e que quer levar o seu público consigo. A canção acabou por ter um duplo significado depois do lançamento.

Them Flying Monkeys


Irreversível – Como sentem que será este regresso aos palcos? 
Them Flying Monkeys – Estamos muito felizes por estar de regresso aos palcos com músicas novas mais fortes, mais agressivas (no melhor dos sentidos) e mais enérgicas. Estamos a preparar um concerto novo também, com novas projecções e um set renovado, pelo que estamos muito ansiosos pelo concerto de dia 5 de Maio no Porto, no Maus Hábitos e 6 de Maio no Musicbox, em Lisboa. Concertos esses para o qual estão todos convidados, inclusive a malta da Irreversível!

Irreversível – Quais são as vossas fontes de inspiração?
Them Flying Monkeys – As nossas fontes de inspiração são diversas e têm variado muito ao longo do tempo. Isso nota-se nos trabalhos que temos editado desde 2016. Nunca procurámos encontrar uma zona de conforto para não sair dela. Ser uma banda portuguesa semiprofissional implica um bocadinho isso e há muitas vantagens, entre elas o facto de podermos estar constantemente em mutação sonora. Se num disco queremos uma coisa, no seguinte podemos querer algo completamente diferente. Isso, honestamente, é bom para nós que estamos sempre a dar reset ao que fazemos e para quem nos ouve não estar sempre a ouvir o mesmo disco em edições diferentes.

Irreversível – Pessoalmente detesto rotular artistas ou bandas, é quase sempre limitativo, mas por vezes é necessário fazê-lo. Se tivessem de explicar o tipo de som que fazem, como o descreveriam? 
Them Flying Monkeys – Recentemente alguém descreveu, numa review à “Next Emma Stone“, o nosso som como “bongo-rock”, a propósito das congas que utilizamos na bridge da música. Portanto, bongo-rock é a resposta certa.

Irreversível – O que é irreversível?
Them Flying Monkeys – A morte. Pelo menos, parece ser, e por isso mais vale aproveitar a vida.

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