“Com uma pedra em cada mão, a sonhar alto, a canção abraça finalmente a solidão e arroja-se em singelas clemências sobre o sentido da vida, retorcendo-se em fragrâncias desconexas até se esvair na grande negrura do fim.”

Adolfo Luxúria Canibal

O artista bracarense Palas, fundador de bandas como Smix Smox Smux e Máquina del Amor, apresenta “Jogo Exausto”, último episódio que encerra a versão completa da curta-metragem “Tons de Pele”, realizada por Paulo Cunha Martins.
A Irreversível acompanhou a envolvência destes lançamentos e antecipamos o fecho da Curta, numa conversa com o Filpe Palas.

Palas

(…) não tenho uma personagem fictícia para as minhas artes. Sou igual na vida real.

Palas

Irreversível – Olá Palas, muito obrigado pela disponibilidade para esta conversa. Parabéns pelo novo trabalho, está muito bom. Desde Janeiro que estás a apresentar um single por mês para aquilo que será a curta-metragem e vídeo álbum “Tons de Pele”. O porquê desta opção em detrimento dos formatos mais tradicionais? 
Palas – Olá Francisco, obrigado pelo convite e pelo apoio. Era uma ideia antiga, que tinha vontade de a fazer. No passado, com os grupos que tive, sempre foi da maneira tradicional, ou seja, primeiro saía o single do cd, juntamente com o video, que seria a forma promocional do lançamento. Depois, esperar uns meses, e lançar um segundo single. Queria fazer diferente do que tinha feito até aqui, isto porque, o disco físico já está ultrapassado se comparado aos novos formatos de alta resolução, como o caso do Spotify, Youtube, por aí, e é uma forma de estares em acção durante mais tempo, com todas as partes envolvidas (agenciamento, media, etc).

Irreversível –  Quais as maiores diferenças que podemos encontrar da música que fazias desde os 1ºs lançamentos para este “Tons de Pele“? Já fizeste essa avaliação?
Palas – Sim, existe uma grande diferença, tanto sonora como o método de composição. Ao contrário do nosso dia a dia, em que estamos sempre com algo para fazer e com o relógio sempre a dar o tic-tac, com prazos para tudo, o “Tons de Pele” foi todo pensado e estruturado no início da pandemia, numa altura em que tivemos tempo para pensar, de termos um tempo nosso, de muita reflexão e, atrevo-me a dizer, de limpeza da alma. E foi isso que fiz, com muita serenidade, compus e escrevei e foi fluindo o aparecimento da música. Experimentei outros instrumentos que, até à data, a não o tinha feito, e explorei outras sonoridades novas para mim.

Irreversível – Como foi o processo criativo para este novo trabalho?
Palas – É um bocado da resposta anterior. O modo criativo foi outro, e a ajuda e o feedback, daquele que mais tarde, foi o responsável pela sonoridade do “Tons de Pele”, o João Moreira, ajudou bastante. Todos os dias fazia música, todos os dias trocava ideias com o Moreira. Depois de muitas, escolhemos as cinco que se intercalam entre si, e mais tarde fui para o Moreira Studios, para começar a criar este “Tons de Pele”. Há que referir também as contribuições do Sérgio Freitas nos pianos, e o Luís Barros nas baterias e percussão, foram essenciais para a sonoridade das músicas.

Irreversível – “Espalhadas pelas ruas da cidade de Braga, é possível tropeçar num exemplar único de textos editados por Adolfo Luxúria Canibal, que ilustram cada memória empregue nas canções do “Tons de Pele”. A cada carta deixada, foi partilhada uma fotografia com a morada e alguns desafios.
O que te levou a planear isto e quais os objectivos desta acção?

Palas – Foi uma ideia em conjunto com a agência que me representa, a Bazuuca, e a sua equipa. Trata-se de escapar aos parâmetros normais de um lançamento de um álbum, e conjugar várias vertentes ligadas à arte, como a escrita, a fotografia, o som. Um desafio diferente, arriscado, mas também, sem nada a perder.

Palas


Irreversível – Como surgiu a colaboração com o Paulo Cunha Martins e com o Adolfo Luxúria Canibal?
Palas – Como já referi, isto foi um trabalho que teve tempo para se pensar em diferentes estratégias. O Paulo Cunha Martins, que já tem um vasto currículo na fotografia e na produção de vídeos, foi uma escolha do João Moreira, porque já se conheciam de trabalhos anteriores. Passamos várias horas/dias, juntos, e quer a nível profissional, quer pessoal, foi uma experiência enriquecedora para mim. É um enorme profissional. O Adolfo, já é um velho conhecido, um homem com um domínio excepcional da língua Portuguesa, e um artista, dos melhores, que Portugal já teve. Tenho um grande apreço por ele, e com muita felicidade, aceitou este desafio, que passa por fazer um excerto de cada música, ressaltando a sua perspectiva dos diferentes temas.

Irreversível – Existem diferentes personalidades separam o Filipe Palas do Palas compositor e autor?
Palas – Acho que sou um indivíduo bastante transparente, tudo o que sou está na música que faço, como na forma de estar, de falar, pensar. Isto para dizer que não tenho uma personagem fictícia para as minhas artes. Sou igual na vida real.

Irreversível – Pessoalmente detesto rotular artistas ou bandas, é quase sempre limitativo, mas por vezes é necessário fazê-lo. Se tivesses de explicar o tipo de som que fazes, como o descreverias?
Palas – Também não sou muito fã de rótulos, mas diria que a predominância será um som alternativo.

Irreversível – Quais são as tuas fontes de inspiração?
Palas – São as vivências que tive, são imagens que reténs, são a família, amizades, e os
grandes da música.

Irreversível – O que é irreversível? 
Palas – O que foi dito e ouvido.



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