A irreversível.pt renasceu do ímpeto de dar palco a quem não o tinha. Durante muito tempo, fomos, também, o elo entre o comunicado de imprensa e o público.

Hoje, cortamos esse elo.

A realidade impôs um novo ritmo. A saúde, a minha e a do projeto, exige que deixemos de ser uma correia de transmissão para nos focarmos na reflexão. A partir de hoje, a irreversível.pt mata a agenda.

Não esperem de nós o cartaz do evento ou do festival, o horário da banda ou o copy-paste da press release. O mercado da promoção cultural tornou-se uma fábrica de ruído saturada, um eco infinito de canais de divulgação que alimentam algoritmos famintos, mas que pouco nutrem quem lê, vê e ouve.

Recusamo-nos a continuar a alimentar essa máquina.

O que sobra? O essencial.

Sobra a missão de continuar a privilegiar o espírito independente e o mérito artístico. Seja de quem procura o primeiro palco, seja de quem já o conquistou, mas merece ser visto e amplificado. Agora com o fôlego e a profundidade que a pressa das redes e das promoções não permitem. Sobra a escrita, o diálogo e o pensamento crítico.

Afirmamo-nos, doravante, exclusivamente através de Artigos, Crónicas, Entrevistas (escritas ou filmadas) e Pensamento. Daremos voz, rosto e tempo, apenas quando houver algo que mereça ser dissecado, sem a tirania da novidade nem do feed, sem a pressão da urgência da promoção.

Continuamos independentes, mas agora somos soberanos sobre o nosso tempo. Trocamos a saturação dos feeds pela anatomia da cultura.

A quem nos seguia pela agenda, obrigado. A quem fica, é convosco que seguimos.

Sempre em irreversivel.pt.

Francisco Sousa Barros

Subscrito por:
Pedro Silva
Susana Ferreira

* Imagem criada com IA