The Parkinsons: 25 anos sem nostalgia nem domesticação.
Há bandas que envelhecem. Outras acumulam anos. E depois há aquelas que fazem do tempo um aliado de tudo o que sempre foram. The Parkinsons pertencem, claramente, a este último grupo. Celebrar 25 anos de carreira não é, aqui, um exercício de nostalgia nem um desfile de greatest hits em formato fast-food. É a constatação de que certos maus hábitos, não só resistem ao tempo, como continuam a fazer falta.
O Maus Hábitos, espaço com uma relação histórica com a música que importa e aos riscos que valem a pena, foi o cenário perfeito para este reencontro. Não apenas pelo nome, que permite o trocadilho óbvio, mas porque há algo de intrinsecamente compatível entre a sala e a banda. Como o casalinho perfeito que todos dizem que foram feitos um para o outro.
The Parkinsons nunca foram uma banda de consensos. Desde o início que navegam em águas turvas, entre o punk e o rock, entre a performance e o confronto direto com o público, entre a canção e o descontrolo. Ao longo de 25 anos isso não se diluiu. Pelo contrário, refinou-se.
O percurso internacional da banda, tantas vezes mais reconhecido fora de Portugal do que cá dentro, também ajuda a explicar esta longevidade. The Parkinsons formaram-se a tocar para salas difíceis, públicos desconfiados, contextos onde a sobrevivência dependia somente deles. Essa escola e Klms´s de palcos é evidente. Parece que cada gig é o último. Já este ano, quando os vi no Basqueiral, esta lógica manteve-se intacta. O espaço muda, a atitude não. Eles são uma banda que nunca se ajusta em função do sítio onde toca.
Num tempo em que o rock é frequentemente tratado como velho & morto ou exercício de estilo, The Parkinsons continuam a praticá-lo, imperfeito, sem vaidades técnicas, e perigoso. Não há aqui tentativa de atualização forçada nem de adaptação a tendências. É o “Que se foda!” no melhor que se pode ter desse tipo de atitude.
The Parkinsons recusam a domesticação. Representam a ideia de que uma banda pode atravessar décadas e públicos, sem suavizar arestas, sem polimentos, sem transformar a experiência num produto.
O público respondeu como se espera nestas ocasiões, não como espectador passivo, mas como parte integrante. Proximidade, contacto, entrega. Houve aquele caos completo que só acontece quando todos, da banda à audiência, sabem exatamente ao que vêm.
Chamar a isto “25 anos de Maus Hábitos” não é meramente um jogo de palavras. É um resumo conceptual. Porque The Parkinsons são isso mesmo, um conjunto de maus hábitos que vale a pena manter. Ser excessivo quando o mercado prefere contenção. Continuar a tocar como se merda nenhuma estivesse garantida.
The Parkinsons não estão a celebrar o passado. Estão a reafirmar o presente, como sempre fizeram. E, honestamente, necessitamos deles assim.

*foto de capa: The Parkinsons © irreversível
