MAQUINA.: o teste de estrada antes do embate de “Body Transmission“.
Falar dos MAQUINA. nas páginas da Irreversível deixou de ser um exercício de descoberta para passar a ser um acompanhamento do boletim clínico. Já os vimos crescer, já os elegemos como “Álbum do Ano“, já participaram numa edição de “Uma Noite Irreversível“, e já perdemos a conta às vezes que nos sentámos com eles para tentar perceber onde termina o músculo e onde começa a eletrónica industrial. Mas esta noite em Barcelos, e especificamente o MOTOROCK, oferecia um cenário demasiado perfeito para ser ignorado: o culto das máquinas a servir de altar para a banda que melhor personifica a fricção.
Este texto, que se apresenta como crónica mas que tresanda a artigo, ou vice-versa, de quem esteve na primeira linha do embate, não é sobre a setlist ou sobre a temperatura da noite. É sobre a forma como o trio se apropriou de um festival de motos para fazer o que melhor sabe: moer. Ver os MAQUINA. num palco cercado por binário e cavalos de potência foi como ver uma peça a encaixar no motor que estava destinado a despistar-se carregado de estilo.

Polaroid: Patrícia Peixoto
Houve quem fosse ao MOTOROCK pelo ronco dos motores, mas o que lá encontrámos foi uma banda a aferir os limites da resistência dos materiais. Entre o krautrock hipnótico e o techno orgânico que os define, a performance foi um check-up industrial, sem anestesia, do que vem por aí. Se o som deles já era uma ameaça em estúdio (já ouvimos o novo disco), ali, naquele espaço-tempo, as novas músicas que apresentaram ganharam uma dimensão de perigosidade. O público não ouviu apenas; foi atropelado por uma engrenagem que não pede autorização para acelerar a fundo.
Mas, o passado e o presente são apenas o combustível para o que vem a seguir. E o que vem a seguir é o verdadeiro teste de choque. Depois de meses a olear as juntas e a apertar os parafusos da composição, a banda prepara-se para soltar o sucessor do aclamado “PRATA“.
No dia 10 de julho, o mundo recebe “Body Transmission“. O título não poderia ser mais profético. Se em Barcelos sentimos a vibração mecânica, o novo disco promete ser a passagem definitiva dessa energia para os corpos; um impacto direto, sem filtros e sem embraiagem. O que ouvimos no MOTOROCK foi apenas a rodagem final, o último ajuste das válvulas, antes de entrarem nas autoestradas sem limites de velocidade.

Em julho, a MAQUINA. lança uma ofensiva global. Se este verão promete calor, festas e festivais, o trio de Lisboa garante a combustão. Estejam prontos, porque a partir de dia 10 de julho, o impacto da maquinaria é irreversível.
Capa:
MAQUINA. @ MOTOROCK
Foto: Sérgio Davide
Artwork: Pedro Silva
