O segundo disco de April Marmara, “Still Life“, com o selo Lay Down Recordings, foi editado hoje. A Irreversível antecipou o lançamento com uma entrevista à autora, Beatriz Diniz.


(…) para as canções inspiro-me sempre em temas que me afectam pessoalmente.


Irreversível – Olá Beatriz, muito obrigado pela disponibilidade para esta entrevista. Quando recebi o novo “Still Life” fui imediatamente conquistado, parabéns pelo disco. Quais as maiores diferenças que nos podes apontar em relação ao teu disco de estreia “New Home”?
Beatriz Diniz – Olá Francisco! Este disco foi realmente a minha afirmação como artista. Houve um maior cuidado na escrita das letras e em toda a composição das músicas. É também o primeiro disco com arranjos co-produzidos, neste caso com o Afonso Cabral, o que me fez aprender e encontrar formas dentro das minhas músicas que não teria encontrado naturalmente sozinha, mas que completam tão bem estas canções.
O “New Home” foi um disco exploratório, feito com amigos, em que não havia um caminho certo do que seria April Marmara na altura, e hoje o “Still Life” já tem o seu caminho próprio dentro deste universo que fui criando de April Marmara.

Irreversível – Como é o teu processo criativo para as composições?
Beatriz Diniz –
Geralmente começa por explorar sons que me interessam na guitarra e a partir daí começo a criar uma estrutura tipo “canção”. Ao mesmo tempo, começa também o processo de criação da letra, muitas das vezes é o tipo de som da guitarra que dita em si as palavras que encaixam e o tema dessa canção. Só depois da estrutura deste núcleo guitarra-voz é que começo a pensar nos arranjos que a possam completar.

Irreversível – Quais são as tuas fontes de inspiração?
Beatriz Diniz –
Inspiração vem de tantos sentidos, no caso do “Still Life” veio muito da forma como olho o mundo e o que este me transmite, é muito uma reflexão pessoal. Há várias canções que me inspiro apenas por passeios pela natureza, como também há canções que são sobre questionar o futuro.
Em concreto, para as canções inspiro-me sempre em temas que me afectam pessoalmente.

Irreversível – Existem diferentes personalidades que separam a Beatriz da April?
Beatriz Diniz –
É interessante, nunca tinha pensado nisto. Eu diria que sim, criar April Marmara fez-me também olhar para o mundo de uma forma diferente, por muito abstracto que isto pareça. Se calhar ocorreu naturalmente, sempre fui uma pessoa com objectivos diferentes até descobrir que gostava de fazer música e querer criar este projecto que é mais introspectivo. Ao mesmo tempo também penso que é importante para mim poder distinguir estas duas personalidades.

Irreversível – Pessoalmente detesto rotular artistas ou bandas, é quase sempre limitativo, mas por vezes é necessário fazê-lo. Se tivesses de explicar o tipo de som que fazes, como o descreverias?
Beatriz Diniz – Inicialmente penso que é sempre o que os artistas tentam perceber: o tipo de som que gostam e ao que querem soar. Depois eventualmente isso vai-se formando naturalmente quase sem nos apercebermos. Eu sempre fui uma grande fã de música folk, não apenas americana mas sim em tudo o que a folk possa englobar no seu sentido de música tradicional.
Após a escrita do núcleo das canções, tento sempre descobrir sons interessantes que encaixem também dentro das músicas que faço, estes vão desde sons mais percussivos, como as tablas, as congas, ou a outras guitarras que completem a minha guitarra, e até a instrumentos como as cordas e sopros. Este universo remete-me muito à folk.

Irreversível – O que é Irreversível?
Beatriz Diniz – Irreversível é o passado, mas o que fazes com ele no futuro não.



Nas primeiras datas de apresentação o público terá a oportunidade de ouvir o novo “Still Life” num formato banda, que conta com músicos como: Manuel Pinheiro, Carolina Rodrigues, Ricardo Ribeiro e Martim Teixeira.


Bilhetes para o concerto em Lisboa, no Teatro Ibérico, disponiveis aqui.
Bilhetes para o concerto no Porto disponiveis na bilheteira do Maus Hábitos.


*foto de capa: Eliza Azevedo

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