A Sul é o nome artístico de um projecto musical composto e produzido por Cláudia Sul. O EP “Já agora” foi lançado em 2022, exibindo uma mistura de influências (e sons) que combinam para criar uma sonoridade contemporânea e original.
As 4 datas já anunciadas foram o pretexto que a Irreversível necessitava para propor esta conversa com o intuito de conhecer melhor a cantautora e produtora.

A Sul | Foto © Inês Machado

acredito que existem diferentes “facetas” a projectar cada fase do processo de conceber uma música. 

Irreversível – Olá Sul, obrigado pela disponibilidade. Tivemos a tua estreia com o EP “Já agora” em 2022, tens uma série de datas a acontecer nos próximos tempos, vamos poder ouvir músicas novas? E para quando um LP?
A Sul – Alô! É verídico. Existe uma música inédita, que será tocada (de vez em quando) nos concertos. Confesso que a nova música é um primeiro passo para um segundo disco, sim!

Irreversível – És tu que compões e produzes o teu material. Como é o teu processo criativo para as composições? Existem diferentes personalidades dentro da Sul que separam a composição e a produção?
A Sul – É uma pergunta difícil de responder, mas vou tentar… O meu processo criativo passa sobretudo pelo interesse num tema específico, que, por diversos motivos, pretendo explorar. Após um processo de introspecção acerca do assunto, procuro posteriormente encontrar melodias que me remetam à emoção que sinto perante o tema. Entretanto, por norma, surge primeiro um instrumental, de um modo espontâneo. E só depois de o reproduzir é que procuro conceber a escrita, com base num cenário que esse instrumental me permitiu imaginar. É um pouco redutor explicar este processo, mas espero ter funcionado!
Relativamente à pergunta acerca das diferentes personalidades que existem dentro da A Sul, acredito que existem diferentes “facetas” a projectar cada fase do processo de conceber uma música. Não diria que existe necessariamente uma separação, mas sim uma espécie de simbiose entre todas as emoções, que vou naturalmente sentindo, enquanto componho e produzo uma canção.

Irreversível – Quais são as as tuas fontes de inspiração?
A Sul – Para além de acreditar que tudo pode ser uma fonte de inspiração, recorro frequentemente ao Cinema – onde me fascino sobretudo pela variedade das narrativas, assim como pela originalidade de determinados trabalhos cenográficos, e de toda a composição musical que possa existir… todo o universo que o Cinema constrói permite-me desenvolver, com bastante facilidade, uma ideia. Isto leva-me a relembrar que somos uns sortudos por ter, actualmente, tantos filmes ao nosso alcance…
Para além do Cinema, especialmente durante a produção do EPJá Agora”, inspirei-me também na Pintura. A delicadeza e a sensibilidade de determinadas obras evocaram-me sentimentos muito específicos, levando-me a criar imaginários. Claro que a Música é uma fonte de inspiração constante, mas penso que poderá estar mais presente na fase de produção da própria canção, do que necessariamente numa fase mais embrionária.

Irreversível – Pessoalmente detesto rotular artistas ou bandas, é quase sempre limitativo, mas por vezes é necessário fazê-lo. Se tivesses de explicar o tipo de som que fazes, como o descreverias?
A Sul – Respondendo à pergunta de uma maneira inteiramente directa, e com base naquilo que vou sabendo acerca das descrições que fazem acerca da música que produzo, diria que se enquadra no
género “Indie Alternativo”, talvez…

Irreversível – O que é Irreversível?
A Sul – Quando penso na palavra “irreversível”, penso automaticamente que existe uma grande parte dos
efeitos causados pelas alterações climáticas que já são considerados irreversíveis.



*Foto de capa © Ruben Zakoyan

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